Droga livre, Jovem escravo!

Droga livre, Jovem escravo!

Pe. Ernesto Ascione
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O Conselho Pontifício para a Família, no dia 25 de junho passado, publicou com a autorização do Santo Padre o Papa Bento XVI, um breve, mas denso documento sobre a liberalidade (ou descriminalização) da venda e uso das drogas: “Do desespero à esperança: família e toxicodependência”.

A Igreja sabe - afirma o documento - que “no complexo mundo da droga entrecruzam-se várias dimensões, comercial, médica, pedagógica, jurídica, social, policial, psíquica, moral e espiritual, mas, presa nesta teia, a Igreja

vê principalmente a pessoa humana, seus valores primordiais, sua suprema dignidade”. Por isso, no recentíssimo documento, a Igreja recusa a indevida ideologização ou politização da questão e dos seus desdobramentos para levar em conta, sobretudo, a pessoa e sua família, envolvidas na problemática.


“Falando, hoje, da toxicodependência. - afirma ainda o documento - seria um erro não considerar um aspecto relevante do fenômeno, sua extensão e globalidade. Não é um fato que interessa uma só camada social, a média-alta, mas todas as outras.” Vemos, de fato, em nossa cidade, que não é apenas o mundo dos adolescentes, que corre este risco, mas esta ameaça está se alastrando cada vez mais para a faixa infantil, como para a dos jovens, jovens-adultos e adultos. Grassa tanto em homens como entre mulheres. A incontrolável ampliação do fenômeno é, sem dúvida, favorecida pela descoberta de novas substâncias ou novas combinações, pela sofisticação técnica e pelo aperfeiçoamento da comercialização e do tráfico criminoso da droga.


Neste contexto de globalização da toxicomania, ganha importância absoluta o conhecimento das causas: por que se drogam os nossos jovens? O documento do Conselho lembra: “O problema não está na droga, está na enfermidade do espírito, que leva alguém a drogar-se”. E, o Papa Bento XVI, escrevendo ao diretor executivo do programa da ONU contra a droga: “Existe um laço entre a patologia letal, provocada pelo abuso da droga e a patologia do espírito, que leva a pessoa a evadir-se de si mesma e a criar satisfações ilusórias na fuga da realidade”. Em suma por que se drogam os nossos filhos? Antes de tudo, por problemas humanos, considerados insolúveis: desde criança, de fato, sobraram-lhes, talvez, benesses, mas faltaram-lhes presença e companhia paterna ou materna.


Porque ficaram abandonados a si próprios. Porque não houve verdadeira formação: faltou-lhes afeto. Porque, em lugar de liberdade com responsabilidade, deram-lhe autonomia desenfreada. Porque não lhe robusteceram a vontade e lhes exercitaram a embriaguez do prazer a qualquer custo. Porque os deixaram crescer sem interioridade, sem estrutura interna, sem princípios e convicções. Por isso, ficaram espiritualmente frágeis. E, poderíamos multiplicar os ``porquês´´. O conhecimento sério e responsável das razões, que conduzem à droga e o esforço para sanar as carências, que o jovem equivocadamente pensa curar com o``paraíso artificial´´ da droga, são os únicos meios para a prevenção e, se esta infelizmente não aconteceu, para uma terapia eficaz.


Propor, em lugar disso, a fácil solução da liberalização da droga é não somente ineficaz, mas contraproducente e altamente nociva. A alegada diferença entre droga “leve ou doce” e “ pesada ou dura” é enganosa, pois, não leva em conta a necessidade de passar das mais leves para as cada vez mais pesadas. Porque cria paliativos, em lugar de atacar o mal pela raiz. Porque não atende à pessoa humana na sua plenitude. È preciso partir da convicção do que a droga, qualquer droga, faz mal, porque destrói a pessoa humana no seu cerne. Comprada ou obtida de modo delituoso, roubado ou fornecido pelo Estado, a droga é, a longo, médio ou breve prazo, letal.


O documento do Conselho Pontifício para a Família é mais um brado de alerta no momento em que cartéis inescrupulosos difudem o veneno, através de redes perfeitamente organizadas, em todos os níveis e segmentos da sociedade. É também um apelo aos governantes, aos guardiões da ordem pública, aos educadores e formadores de opinião, aos comunicadores sociais, aos líderes religiosos e, sobretudo, aos pais: cada qual no seu setor e no âmbito de sua responsabilidade, todos são convocados – diz o documento – para uma obra de salvamento”. Nossos jovens precisam e esperam. Não querem que a droga livre os faça escravos.

Padre Ernesto.
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Paróquia São José – Santo Antonio Descoberto-GO